Quem manda aqui somos nós!

Quem manda aqui somos nósO ano que agora começa será de pouca esperança para aqueles que mais dificuldades enfrentam na vida. Não podem contar com o apoio do Estado para ultrapassar tempos de dificuldades auto-induzidos pelos governantes deste país e dos pseudo-governantes da União Europeia. Está à vista de todos o abismo para que Merkel e Sarkozy conduzem o projecto europeu, ainda por cima sem qualquer legitimidade democrática para liderar os destinos da nossa União Europeia.

A austeridade já provou não ser solução para os problemas da União Europeia e dos países periféricos como Portugal, sufocando as economias destes países e, a prazo sufocando mesmo as economias mais robustas que connosco partilham o projecto europeu. A austeridade está a sufocar não só a economia, mas também os pilares das democracias europeias. O modelo social europeu não é só estruturante para a garantia de igualdade de oportunidades entre os cidadãos ao serviço do crescimento económico das sociedades, é também fundamental como pilar dos sistemas democráticos que suportam os diferentes países da União Europeia.

Portugal atravessa uma grave crise, não só financeira e económica, mas também democrática, porque grande parte dos seus problemas não é do seu domínio e porque a sua resolução também escapa à vontade dos portugueses e daqueles que escolhemos para governar o país. A par disso, somos governados por uma maioria de Direita que tem oportunidade de ouro para implementar uma agenda política que cobardemente sempre escondeu e continua a esconder. Esta Direita, sob a capa do burburinho que a Troika causa, aplica medidas estruturantes que visam pôr fim ao modelo de Estado Social que conquistámos, levando a cabo uma cartilha que já falhou e teimosamente os Neo-Liberais teimam em acreditar!

Este será ano em que as pessoas sentirão a falta do Estado! Ao longo dos últimos três anos, o Estado cumpriu a sua função de força de equilíbrio, protegendo as empresas mais frágeis, as famílias mais carenciadas, a economia. O Estado endividou-se! Sim, mas para cumprir o seu papel de protecção do país de uma crise que encontra responsabilidades tão longe do nosso território, e agora só tem solução se a União Europeia fizer aquilo que tem que ser feito. Harmonização fiscal, verdadeira solidariedade entre os Estados-Membro, legitimação democrática dos órgãos, a Economia e a Finança ao serviço da política!

Este é o ano em que urge a refundação da União Europeia, com coragem e sem que seja preciso vermos o abismo para a levarmos a cabo.

Todos nos devemos mobilizar para exigir isto mesmo dos nossos governantes, porque este assunto nos diz tanto respeito e influencia de forma tão determinante o curso das nossas vidas.

Devemos recusar ser a primeira geração na história das sociedades modernas com menor qualidade de vida que a geração anterior. Devemos por isso mobilizar os esforços das gerações mais jovens para a resistência ao empobrecimento.

Nós merecemos um futuro melhor! Nesse futuro, devemos viver numa União Europeia verdadeiramente una, sustentada num modelo social que preconize a igualdade, a solidariedade e a fraternidade, em que a economia esteja ao serviço da política e do povo, em que possamos escolher quem comanda a Europa com o nosso voto!

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Sérgio Manuel Lopes

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