Fernando Nobre aceitou o convite mercantilista de Pedro Passos Coelho para encabeçar a lista de candidatos a deputados à Assembleia da República, pelo círculo eleitoral de Lisboa.
O recentíssimo candidato, pela cidadania, a Presidente da República embrulha-se numa das maiores incoerências de que me lembro. Digo isto porque a sua candidatura tentou afirmar-se como uma candidatura completamente independente de apoios partidários, e aliás alimentou-se de um discurso completamente tenaz contra a classe político-partidária.
No entanto, não é surpreendente esta atitude de Fernando Nobre. Afinal, o percurso político ziguezagueante de Fernando Nobre conta com registos como ter sido membro da Comissão Política da candidatura de Mário Soares à Presidência da República, mandatário nacional do Bloco de Esquerda, nas eleições europeias de 2009, membro da Comissão de Honra da candidatura de António Capucho, pelo PSD, à Câmara Municipal Cascais, em 2009, e em 2002 apoiou Durão Barroso.
Ou seja, Fernando Nobre não se define ideologicamente, e ainda não percebeu que isso é determinante para que possa escolher claramente o país quer ajudar a construir.
Enfim, Fernando Nobre mostra no mínimo ingenuidade. Passos Coelho acredita ingenuamente que o meio milhão de votos obtidos por este nas presidenciais se transfere automaticamente para o PSD.
Agora, o candidato a deputado e antecipadamente a Presidente da Assembleia da República lança ideias absurdas a que nos habituou na campanha presidencial, como a de elaborar um programa eleitoral para a sua candidatura a Presidente da Assembleia da República. Ainda não percebeu que o único programa eleitoral pelo qual será escrutinado é o programa do PSD, ainda não percebeu que a Presidência da Assembleia da República não obedece a um programa eleitoral, ainda não percebeu basicamente as regras do jogo democrático, como já havia mostrado na sua candidatura a Presidente da República.
Enfim, em troco de um punhado de votos, o PSD faz tudo, até abusar da ingenuidade de uma personalidade bem intencionada, mas sem capacidade para perceber que em política, coerência é tudo.
PS: Eu admiro o Fernando Nobre, presidente da AMI e sócio honorário de uma instituição que me diz muito, a Associação Académica da Universidade de Aveiro.
Tenho pena que leve a sua intervenção política neste tom aventureiro e irresponsável.
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